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Homenagem à Umbanda 104 anos

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15/11/2012 · 15:51

RELIGIÃO x POLÍTICA – Parte II

Saudações leitor!

Dou continuidade ao tema iniciado no texto Religião e Política – Parte I, onde o objetivo era especificamente proporcionar uma atmosfera reflexiva sobre a temática, que a meu ver é percebido equivocadamente no meio religioso Umbandista.

Após todo o texto em uma rápida frase indiquei em quem eu voto para vereador na minha cidade. Pronto, foi o suficiente para muitos interpretarem erroneamente minhas intenções e ao mesmo tempo esquecer tudo o que refleti. A ideia de continuar essa temática era outra, mas o resultado da primeira publicação foi tão “surpreendente” que me obriga a usar essa situação como base para o que seguirá.

Recebi dezenas de e-mails de leitores literalmente indignados pelo fato de eu revelar meu voto/apoio a um candidato. Mas não se trata de bauruenses ou mesmo algo contra o candidato, não, não. A “dúvida” de alguns é sobre minha idoneidade pra ser bem sincero.

Vejamos, um questionamento que se repetiu por muitos foi: “Quanto estou recebendo para apoiar tal candidato?” ou “Quais benefícios me foram prometidos?” ou ainda “Se eu estou de olho em uma carreira política”. Também teve alguns mais exaltados que ficaram “decepcionados comigo”, pois como muitos colocaram: “Um sacerdote não pode tomar partido ou apoiar políticos”, enfim…

Concluo que de fato, como indiquei no primeiro texto, existe uma descrença maciça no indivíduo político e que todos que o são, bem como os simpatizantes, são todos “farinha do mesmo saco”, leia-se que o saco é o mesmo que bandido, corrupto, sacana, mau caráter etc.

Desculpem-me, não consigo pensar desta forma, primeiro porque não sou tão pessimista e acredito de verdade nas pessoas, e também não sou tão manipulável a ponto de crer em conceitos vendidos.

Sei plenamente o quanto a estrutura política no Brasil está estagnada, trincada e corrompida, mas também sei que os bandidos do poder querem mesmo é que o povo fique assim, descrente, já que a máquina não irá parar por isso, e assim fica tudo mais fácil pra eles a ponto de o povo votar em qualquer palhaço para ingenuamente protestar contra os vilões do poder.

Na verdade, tenho visto cada vez mais pessoas de bem, que se engajam na política partidária após fazer muitas coisas em prol do seu meio de forma independente e que sabe que num determinado momento para se fazer mais e melhor para a sociedade só mesmo via política. E é desses bons cidadãos que falo, que procuro votar, apoiar e divulgar. São indivíduos com os quais me identifico, em que as ideias se encontram, que me transmitem confiança, verdade e trabalho executado, é simples isso.

Penso que se hoje ainda temos muitos poderosos bandidos políticos, então que mesmo lentamente coloquemos no poder pessoas de bem, comprometidos com o melhor para a sociedade, e estaremos assim colaborando para um futuro melhor, onde a maioria é boa, e o mau não encontra tantas oportunidades.

Quanto ao fato de eu, na posição de sacerdote, não poder apoiar politicamente, isso é uma hipocrisia retrógrada, pois é justamente o contrário, sei bem meu papel, o quanto as pessoas tomam como fundamentais minhas opiniões, tenho muito zelo quanto a isso e jamais agi de forma leviana e, por serem verdadeiros meus sentimentos para uma sociedade melhor e com pessoas de bem no poder é que sou movido a tornar público meu apoio e pedir que as pessoas o levem em consideração.

Dizem que na política é tudo jogo de interesses, concordo, também tenho muitos interesses, que visam ao bem coletivo, então se estes forem os interesses de um candidato, não em palavras mas sim em atos, então tem minha simpatia.

Questionam se eu não tenho medo de me decepcionar, não, não tenho medo, já me decepcionei com amizades, com religiosos, com familiares, e isso faz parte da vida social. Sou fiel no que acredito, se amanhã me decepcionar não terei nenhum pudor em tornar público tal fato, como já faço no meio Umbandista. Quem tem medo de se decepcionar e coloca isso à frente da sua vida então não pode sair de casa, não pode conhecer pessoas, não pode namorar, não pode trabalhar…

Pontualmente aqui na cidade onde nasci e vivo, o candidato que apoio já tem um excelente trabalho realizado tanto na condição de vereador como paralelamente, enquanto cidadão, isso precisa ser observado e valorizado.

Tenho irmãos de outras cidades e estados que são líderes religiosos e comunitários também, apoiando outros candidatos, onde o que impera são essas mesmas considerações acima, a esperança real de dias melhores, não para a religião, mas para a sociedade.

Eu fujo dos discursos onde a bandeira religiosa é o único argumento do candidato, desculpe, pra mim não convence. É preciso muito mais que isso. De modo que aquele realmente conhecedor das necessidades práticas da cidade, que mantém proximidade das particularidades sociais e tem uma real postura de combate a todo tipo de preconceito, esse me é simpático, pois saberá lidar com o Umbandista, com o Católico, com o Judeu, com o Gay, com o Índio, com o Negro, com o Rico e o Pobre de igual pra igual, pois independente dessas particularidades são todos cidadãos, todos têm RG, CPF, Título de Eleitor e têm as mesmas necessidades básicas, como todo ser humano.

Portanto, vote consciente, ou seja, conheça, pesquise sobre seu candidato, entenda para quem está dando seu voto.

Tem quem não se importa com nada disso, acha que seu voto é um só dentre milhares.

Pra mim meu voto é tudo, é determinante, gosto de pensar que sem ele tudo pode ser diferente e que ele é tudo o que precisamos, sem ele meu candidato não ganha. Penso que meu voto é o voto de ouro, e assim sinto o peso da responsabilidade de exercer conscientemente minha cidadania. Por isso, não há preço, não há troca e nem fiado, há sim uma relação de confiança e esperança.

Portanto, no dia 07 de Outubro, vote com alegria, com certeza e determinação.

Ah, e para que não reste dúvida, não tenho interesse em carreira política, nem estou recebendo benefício algum para ter opinião, tenho apenas a vontade de colaborar conscientemente por uma cidade melhor, que é o caso das eleições de 2012.

Grande abraço, axé!

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Em Bauru-SP – para vereador voto em Mantovani 45.444

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ICA – Um Ideal!

Antes que este dia 15 de Novembro de 2011 termine, faltando poucos minutos para a meia noite, venho tentar fixar em registros algumas coisas que hoje borbulhou em minha mente, meu coração, minha alma.

Falar de Umbanda, naturalmente quando se fala de algo que amamos muito é profundamente difícil, as palavras faltam, a garganta embarga e os olhos marejam.

Acabo de chegar do jantar de comemorativo dos 7 anos do ICA, ali presentes estavam as pessoas queridas, dedicadas e comprometidas.

ICA completou sete anos, a Umbanda 103.

Então pensei em Zélio de Moraes, Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas, claro, sem estes não existiria este momento, fundadores desta religião que nos ensina diariamente que com quem sabe mais aprendemos e a quem sabe menos ensinamos.

Entretanto pensar nos sete anos do ICA são tantas lembranças, tantas pessoas, histórias e mais histórias. Me dou conta de como o tempo é devorador ao mesmo tempo que efêmero. E confirmo assim que realmente a vida é o que e como vivemos, o que aprendemos e acima de tudo o que oferecemos.

A história do ICA é escrita por muitas mãos, muitas mesmo. Por corações apaixonados, envolvidos e fieis. Também é registrado por mãos passageiras, corações temporários e muitas vezes por aqueles que ainda não se comprometeram nem mesmo consigo. O fato é que sempre cada um deixa um pouco de si e leva-se um pouco do ICA.

Tudo bem, já escrevi bastante e muito pouco perto dos meus pensamentos…

Quero compartilhar o que sinto realmente. Neste dia, repetidamente, como quando colocamos um cd para tocar e habilitamos o “repeat”, o ponto “Estava na beira do rio, sem poder atravessar…” ficou tocando na minha cabeça.

Pensando com gratidão no Sr. Caboclo Tupinambá, entidade responsável pela implantação e progresso espiritual deste ideal, não um ideal de religião apenas, mas sim um ideal de vida, de comunidade, de sociedade e de espiritualidade.

Este ponto cantado, tão simples e tão profundo…

“Estava na beira do rio, sem poder atravessar…”

Em algum momento da vida nos encontramos à beira do rio, simbolicamente é aquele momento crucial, “fim da linha”, o ponto onde você já não pode correr, se esconder, fingir. A beira do rio é aquele momento de limite existencial, é quando tudo o que acreditamos já não tem a mesma verdade, quando nossas crenças já não sustentam mais nossas dúvidas existenciais, já não acalma o coração e não mantem um sentido para a vida. … a beira do precipício, o fundo do poço, a rua sem saída.

Era assim que ainda adolescente me sentia quando aprendi a entoar este ponto…

 “Chamei pelos caboclos, Caboclo Tupinambá… Tupinambá chamei, chamei tornei a chamar”

Desde a primeira vez e até hoje quando juntos cantamos este ponto, fecho os olhos e sempre me vejo abraçado nas costas deste Caboclo, me atravessando por um longo e profundo rio até a outra margem.

 Também até hoje não chegamos na outra margem, nunca me vi na outra margem.

Perguntei ao Sr. Tupinambá, hoje, enquanto todos cantavam e palmavam, porque nunca vi tal imagem. Ao que respondeu:

“A outra margem é a outra realidade da existência. … o resultado final da travessia, e também o menos importante, pois a outra margem será nada menos que o resultado de como procederá nesta travessia, meu filho.

A travessia é a vida, é esta vida. … o que está fazendo, é a obra que está realizando, é tudo o que você é e o que poderá ser.

O rio é da extensão da vida. Nele há correntezas contrárias e esporadicamente correntezas que lhe impulsionarão, durante a travessia teremos tempestades e dias muito ensolarados, algumas vezes poderá desfrutar de águas serenas e arriscar um breve descanso, mas jamais pare de nadar. Ter fôlego em todas as circunstâncias é determinante. Olhe a sua volta, olhe seus filhos, sua esposa, sua família espiritual, olhe e veja sempre em cada um parte da outra margem.”

E fui despertado com os aplausos finais ao ponto.

Estas palavras, mais que registradas em mim está compartilhado aqui.

Este dia foi especial, sem palavras, então o meu sincero e emocionado obrigado a todos que fazem parte desta história.

A todos de ontem, os de hoje e os que virão.

Minha esposa, companheira, que dentre tantas qualidades, compreende o motivo de muitas ausências. Meus filhos, meus motivadores, parte de mim, que tanto me acompanham. Meu emocionado obrigado.

Obrigado Pai Tupinambá, por ser o realizador de tudo isso e ter me aceitado nesta longa travessia…

Parabéns Umbanda,

Parabéns ICA,

Saravá!

Rodrigo Queiroz – 15/11/2011 – 23hs50

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