Saboreie o Café

 Um grupo de médiuns Umbandistas, amigos de longa data, se reuniram e foram visitar um Sacerdote que teve papel muito importante no inicio da  trajetória mediúnica deles. Em pouco tempo, a conversa girava em torno de queixas sobre os terreiros que agora estavam frequentando e a  “exaltação” dos “seus” Guias Espirituais, que um tinha o  cocar assim, o outro um colar tal, assim discorreram valorizando as proezas,  apetrechos e elementos ritualísticos dos Guias…

Ao oferecer café aos seus visitantes, o Sacerdote foi à cozinha e  retornou com um grande bule e uma variedade de xícaras, porcelana, plástico,  vidro, cristal; algumas simples, outras caras, outras requintadas; dizendo a  todos para se servirem.

Quando todos os estudantes estavam de xícaras em punho, o Sacerdote  disse:

” – Se vocês repararem, pegaram todas as xícaras bonitas e caras, e deixaram as simples e baratas para trás. Uma vez que não é nada anormal que vocês queiram o melhor para si, isto é  a fonte dos seus problemas. Vocês podem ter certeza de que a xícara em si não  adiciona qualidade nenhuma ao café.

Na maioria das vezes, são apenas mais caras e, algumas vezes, até ocultam  o que estamos bebendo.

O que todos vocês realmente queriam era o café, não as xícaras, mas  escolheram, conscientemente, as melhores xícaras… e então ficaram todos de
olho nas xícaras uns dos outros.

 Agora pensem nisso:

“Os Guias e a Umbanda é o café, e suas proezas, particularidades,  vestimentas, elementos e terreiros são as xícaras. Elas são apenas ferramentas
para sustentar e conter a Umbanda e os Guias… E o tipo de xícara que temos  não define, nem altera, a qualidade dos Guias e da Umbanda no terreiro que  participamos.

As vezes, ao concentrarmo-nos apenas na xícara, deixamos de saborear o  café que Deus nos deu.”

 Deus coa o café, não as xícaras…

 Saboreie seu café!

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Diante Si

Sr. Ogum dos Sete Caminhos e a ação da Lei

 Por Rodrigo Queiroz / Ditado por Pai Zuluá de Aruanda

 A encruzilhada estava muito escura, muito vento, sozinha ela sentia muito medo de alguma violência, mesmo com o marido dentro do carro com os faróis acesos para clarear um pouco aquela intensa escuridão.

Trêmula e temente, ela saúda os quatro cantos da encruzilhada, posta-se no meio e ajoelha-se, imediatamente é tomada por uma dor profunda e chora, chora muito, com dificuldade posiciona o alguidar, abre a cerveja, corta as frutas e tenta acender as velas sem sucesso devido tanto vento, acende com dificuldade o charuto e saúda alto: “-Valei-me meu Pai Ogum!” e mais uma vez o pranto toma conta dos seus sentidos, as lágrimas caem no alguidar e banha a singela oferenda…

Do lado espiritual um clarão ilumina aquela inóspita encruzilhada e de frente à oferenda ele se posiciona, é um mensageiro de Ogum, com ele simultaneamente aparecem dezenas de Guardiões Exus, formam um verdadeiro cinturão no perímetro da encruzilhada, desenhando uma roda de proteção.

Ogum dos Sete Caminhos toca a ponta de sua espada na cabeça de Eliza que “desmaia”, quando se dá conta está do lado espiritual, vê seu corpo no chão e se alegra com a miragem daquele mensageiro à sua frente.

– Porque tanta dor minha filha?

– Meu Pai Ogum, não aguento tanto sofrimento, tudo dá errado para mim, tudo foge do controle, dívidas que não acabam, problemas no casamento, desarmonia na família. Meu Pai, sinto que tenho muito olho gordo na minha direção, também desconfio que estou sob efeito de forte “magia negra” e estou convencida de que isso é o que está fechando meus caminhos.

– Filha, segure minha mão.

Ao encostar as mãos nas de Sr. Sete Caminhos, uma luz intensa envolveu o corpo de Eliza, que foi projetada ao passado de sua memória presente agora vista por um ângulo que não gostava de imaginar, seguiram algumas cenas:

“A casa toda bagunçada, os dois filhos pequenos brincando com o pai, Eliza na cozinha preparando a janta, enquanto cortava os legumes reclamava baixinho da própria vida: – Não aguento mais cuidar desta casa, fazer comida, limpar, educar filhos. Queria mesmo é estar agora num restaurante, voltar para casa e dormir, não ter hora para acordar amanhã…”

“É dia do aniversário de casamento de 10 anos de Eliza e Roberto, ela acorda depois dele, vai para a cozinha, onde o marido o espera com a mesa posta e flores decorando o ambiente:

– Bom dia querida!

– O que é isso Roberto? Enlouqueceu? Tá gastando dinheiro com florzinha, bolachinha e besteiras?

Decepcionado e triste pelo constante desânimo da esposa e pela nítida demonstração de esquecimento da data por parte dela, ele responde: – Não meu bem, hoje completamos uma década de casados e venho guardando há três meses um dinheirinho para lhe surpreender com este café, gostaria de lhe oferecer mais para externar meu amor… Mas isso é o que eu pude fazer… Desculpe por lhe importunar com meus sentimentos…”

“- Mamãe, mamãe, mamãe.

– Fala muleque! – esbraveja Eliza.

– Mamãe, eu fiz na escolinha, é para você! Diz Juninho feliz da vida com o primeiro cartão de dia das mães feita por ele mesmo.

O cartão tinha o formato de um coração com braços grandes, com os dizeres na capa: Mamãe…, e dentro ‘Te amo um tantão assim’!

– Tá bom muleque, vai brincar e me deixa descansar.”

Ainda seguiram outras cenas como estas e Sr. Sete Caminhos tirou Eliza do “transe”, que imediatamente tomada por vergonha chorou.

– Pois então minha filha. Acredita que sua vida ainda não está a contento por ação mágica? A vida vai mal ou você que não se permite olhar para a mesma?

Acaso pensa que haverá amor sem cultivo? Pensa que haverá conquistas sem luta, derrota e aprendizado? Acreditas mesmo que pode viver em paz sem gratidão?

Você tem o marido que escolheu, os filhos que pretendeu, a casa que idealizou e a rotina que pediu. Onde sua vida vai mal? Que tanta insatisfação é essa? Por que é tão difícil contentar-se com o que se tem?

É pertinente que almeje sempre mais, mas não sem antes ser justa com o que se tem, com o que escolheu, pediu e optou.

Retribua o carinho do seu marido que só não lhe abandonou por tê-la como uma boa lembrança e querer a todo custo retomar o que você deixou num passado sem motivo. Seus filhos só precisam da sua atenção e legítimo carinho.

Falta-lhe emoção? É disso que reclama? Mas o que tem feito para alterar a rotina?

Quer mais conquistas materiais? Do que você precisa? O que tem feito para atingir seus objetivos?

Tem falta de um passado jovial? Entenda que tudo passa, o tempo passa e você passa pelo tempo. Lembranças são o que são, memórias para que você não se esqueça do é, foi e o que não quer ser ou voltar a ser.

Seja sincera, a vida lhe foi muito boa e você, por ser movida por uma ingratidão constante, por uma necessidade de ser mais do que faz por ser e não mover um grão de areia para que sua realidade seja ao menos diferente, diz ainda ter a “certeza” que é algo de inveja e magia?

Desfaça você mesma a magia da ilusão que criou a si mesma. Saia deste quadro de lamentos gratuitos e olhe para o que tem, antes de almejar o que poderá ter e ser.

Após estas duras e verdadeiras palavras, Eliza no choro compulsivo de vergonha não conseguia falar, talvez nem pensar.

– Agora você voltará ao corpo, lembrando de tudo o que ocorreu aqui e estará de volta à sua realidade, seja melhor consigo e com os seus.

E Sr. Ogum Sete Caminhos recostou a ponta de sua espada na cabeça de Eliza, novamente um clarão tomou conta da encruzilhada e Eliza acordou com seu marido desesperado lhe chamando: – Meu bem, acorda, acorda, Eliza, meu amor, por favor!

Ao abrir os olhos, ele sorriu amorosamente, Eliza mais uma vez foi tomada por uma vergonha incalculável, abraçou Roberto e chorou…

Esta foi mais uma ação daqueles ordenadores espíritos que trabalham sob os ditames de Pai Ogum. Que quando evocados não estão à disposição do evocador, mas tão somente da Lei, da Verdade e do Caminho reto.

Esta história de Eliza retrata um pouco dos milhares de casos constantes de pessoas que abarcam aos terreiros de Umbanda, e vestidos com a “máscara do desafortunado” lamentam sobre tudo, e que não são capazes de reconhecer o que têm e o que podem vir a ter por serem capazes de ter.

Muitos destroem seus casamentos por falta de zelo, respeito e maleabilidade. Outros minam suas relações familiares pelo insistente relapso de retribuição e gratidão. Outros pedem empregos e os desprezam por não serem gratos ao que têm antes de se preparar para algo a mais.

Assim, num fluxo contínuo e constante de uma espécie de torpor comportamental, os filhos desta matéria, deste plano físico, perpetuam uma cultura de crise existencial em prol de uma necessidade mal expressa e incompreendida…

Desejo que Pai Ogum, aquele que reflete a Lei do Criador, a Ordem no Universo, através de seus milhares de falangeiros e intermediários, esteja ao lado destes filhos na matéria, e que possam ser corrigidos e reposicionados no caminho reto da evolução.

Ogum abençoe, Ogum proteja, Ogum encaminhe!

Patakorê Ogum Yê!

 Pai Zuluá de Aruanda – 05/04/2011 21h27min

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Pai Benedito de Aruanda e a Renovação da Umbanda

Por Rodrigo Queiroz

Saudações leitor, salve!

Comumente nós encontramos “irmãos” de fé literalmente atacando a obra de Rubens Saraceni, autor de mais de 60 títulos publicados sobre Umbanda, sendo a maior parte destes psicografados por aqueles que entendemos como Mestres da Luz.

Alguns praticantes da “umbanda africanista” atacam o conceito da Orixá Egunitá bem como Oyá-Tempo / Logunã. Estes acusam a o autor de “criar” novos Orixás, sendo isso uma espécie de “heresia umbandística” e coisa do tipo.

É notável que a grande maioria (não muitos no total) dos atacantes são multiplicadores de peixe muito mal comprado, digo isto, pois se denota que não leram a obra tão criticada.

Estes também pouco entendem sobre mitologia, cultura nativa, panteão religioso e como normalmente é a construção mítica dos deuses nas culturas nativas, tais como grega, indígena, romana, egípcia, africana e tantos outras. Dizem que Xangô foi um rei na áfrica há mais de 6 mil anos… Ainda que se prove a existência do tronco familiar Xangô, pouco se prova a respeito dos mais de 670 deuses africanos e, cá entre nós, não acreditamos em deuses, o tempo em que os povos eram guiados por mito dos deuses já passou, ainda existem mitos, muita coisa na ciência ortodoxa atual será mito logo mais, mas enfim, não quero complicar o texto, a idéia é simplificar.

Na verdade qualquer um que tiver contato com os títulos de Rubens Saraceni notará que na grande maioria existe a citação de uma ideia “Umbanda é a renovação do culto aos Orixás”.

Para o estudioso mais dedicado e aberto, este conceito já resolve muitos conflitos. Pois bem, a Umbanda não precisa dos fundamentos dos cultos africanos ou afro-brasileiros (candomblé) para fundamentar ou dar legitimidade ao culto de Orixá na Umbanda.

Bem sabemos que o Candomblé já é um remanejamento do Culto de Nação (África) que é diferente do Tambor de Mina e que é diferente de tantas outras veias de cultos/religiões que têm sua origem no Culto de Nação (África).

Porque então que a Umbanda não pode ter sua própria identidade? Sua própria linguagem acerca dos Orixás? Será por conta do termo ORIXÁ? ÒRÌSÀ?

Oras, numa tradução sintética temos ORIXÁ = Senhor do Alto ou Senhor da Cabeça. Bem, entre os gregos os “senhores do alto” eram os deuses do Olimpo e por isso posso sim comparar Ares com Ogum, suas atribuições e qualidades míticas são muito semelhantes, assim, os deuses de todas as culturas nativas são “senhores do alto”.

Umbanda não é uma cultura religiosa nativa, aceite quem puder, podemos até dizer que é uma religião urbana, metropolitana e não se engane quanto a isso pelo fato de se falar tanto em cultuar a natureza, pois aí está sua excelência, a Umbanda promove no fiel sua convergência à natureza, desperta a sensibilidade existencial e dá olhos para observar com amor as mais simples manifestações da vida natural.

Portanto, Pai Benedito de Aruanda, através de seu médium psicógrafo, traz uma nova leitura sobre Orixá para a Umbanda, e afirma que a Umbanda em si já é a renovação do culto aos Orixás, adaptado ao mundo moderno e brasileiro (nota minha).

Aqui na Umbanda Orixá não é mais Deus e sim Divindade. Somos monoteístas e cremos portanto num Deus único, aqui denominado Olorum, e Seus Orixás são Suas Divindades manifestadoras de Suas qualidades, agentes de Sua Criação. Olorum nesta “nova leitura” é o Criador que manifesta Sete Vibrações Originais pontificadas e geridas por 14 Divindades. Estas vibrações trazem em si qualidades, atributos, atribuições, magnetismos, sentidos da vida, cores, sons etc.

Pai Benedito precisou recorrer a “rótulos religiosos” e/ou “símbolos religiosos” para tornar compreensível à realidade humana material este panteão organizado e original para a Umbanda.

Estas Sete Vibrações Originais são na realidade religiosa as “Sete Linhas de Umbanda” (um rótulo, recurso linguístico) e estas Divindades que são uma classe de Divindades denominadas Tronos vão ser “rotuladas” com alguns termos yorubá, e então na Umbanda Trono será Orixá e cada qual terá um nome sendo Oxalá, Oxum, Oxóssi etc. Neste sentido surge para rotular o Trono Feminino da Justiça, o rótulo EGUNITÁ, não importa se é um Orixá cultuado na África ou suas descendências. Aqui o que importa é que o rótulo cabe ao Trono Divino, e recorrendo às semelhanças, Egunitá na África é uma qualidade ígnea de Yansã (Oiá), incrível como nada é por acaso.

Mesmo assim surgiu um problema para “rotular” o Trono Feminino da Fé, então Pai Benedito deixou dois rótulos possíveis, Oyá-Tempo, que não é o Tempo do Culto de Nação e nada tem haver com Oiá, mas é um nome próprio ao Trono que também se utiliza Logunã, este termo inexistente até então e original, qual o problema???

O importante é saber que Divindades são partes de Deus (Olorum) e não à parte, pois Deuses, como sempre no mito, acabam disputando poderes entre si e até destronam o Deus Supremo se este não “andar na linha” (risos).

Divindades são braços de Deus, ou seja, ele mesmo fragmentado em ações específicas.

Quando queremos pedir Justiça, pedimos a Xangô que é o rótulo para o Trono Masculino da Justiça, e se queremos uma ajuda nos campos religiosos firmamos uma vela para Oyá-Tempo/Logunã, rótulo para Trono Feminino da Fé e assim por diante.

Se a Umbanda é a renovação do Culto aos Orixás, então a Teologia de Umbanda Sagrada, trazida à Luz por Pai Benedito de Aruanda, é a consolidação deste conceito bem como a renovação da Umbanda.

Para maior aprofundamento deste conceito sugiro a leitura das obras assinadas por Rubens Saraceni, todos publicados pela Editora Madras.

Grande abraço,

Saravá Umbanda!

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