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SABEDORIA CAIPIRA

 

Imagem extraída da Internet

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“Vocês reclamam da vida, lamentam com Deus, pedem sinais de Sua Divina Presença e lamentam…

Não percebem que Ele está em tudo e se manifesta mais plenamente na natureza.

Então diante os obstáculos da vida, observe atentamente o percurso da água, que em seu leito vai se deparando com todo tido de barreiras e coisas que tentam ou parecem impedir seu curso natural.

Vejam que na maioria das vezes a água pela sua maleabilidade se adapta sem maiores problemas e então ela passa por cima de um tipo de obstáculo, depois ela passa pelas laterais, outras vezes ela envolve aquilo e leva junto consigo, seja como for ela continua avante.

Então chega um momento em que ela também encontra um grande obstáculo, grande mesmo que tem como objetivo represá-la, impedir que continue adiante.

Nesta hora, silenciosamente ela parece cessar seu percurso, mas se engana o leigo. Ela, a água, ficará ali, o tempo que for necessário para ela acumular-se de si, encher-se de si, de sua essência que não cessa, é pulsante, é corrente e acumulativo. Então quando ela enche-se de si, num processo de introspecção e silêncio, de opressão e impedimento, ela se enche de sua própria essência. A água, levará o tempo pertinente ao tamanho do obstáculo, mas chegará a hora em que ela estará tão cheia de si, tão fortalecida em si, que aquele obstáculo de antes será submergido ela transpassará mais aquele obstáculo e nesta hora ela já não é mais a mesma, está mais forte, o que era um córrego vira uma correnteza que com pressa rompe de sua “dormência” e corre para além da barreira, esta barreira que não é mais possível enxergar, foi engolida ou melhor, superada!

Vocês homens e mulheres que lamentam, que paralisam e que se veem diante obstáculos que parecem insuperáveis, observem a água e procurem encher-se de si, busquem sua essência, acumule-se de si, sua força, sua identidade, suas capacidades. Se necessário silencie, pare um pouco e vá acumulando-se de si a tal ponto que o problema, o obstáculo, a dificuldade seja visto de modo tão pequeno que você se verá grande e aquela barreira da vida já terá sido superada, ficado para trás, pois na vida os obstáculos estão aí, a vida não cessa, é como água, continua, corrente, livre.

Pensem sobre isso!”

(Mensagem transmitida durante uma Gira de Desenvolvimento Mediúnico para os filhos do ICA – Templo, pelo Sr. Baiano Zé da Peixeira / Rodrigo Queiroz)

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DIÁLOGO COM CABOCLO

DIÁLOGO COM CABOCLO

Sobre desvios comportamentais e a sustentação espiritual

Imagem retirada da internet

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Gira de Caboclos, médiuns em transe, consulência ansiosa e demais trabalhadores cumprindo seus afazeres para que tudo fluísse perfeitamente.

Ao ver aqueles médiuns, jovens médiuns, devidamente mediunizados e entregues para que fossem apenas instrumentos, sentindo profunda verdade exalando de cada um, me veio um intenso sentimento de gratidão e emoção por fazer parte deste processo. Inevitavelmente me ocorreu porque entidades tão luminosas se permitem sustentar médiuns relapsos, inclinados ao erro ou de vida errante? Será mesmo que podem ser sustentados? Será mesmo que há estas entidades coniventes?

Foi em meio a estes questionamentos silenciosos que fui ouvido e se travou o diálogo:

– Meu filho, hoje não farei os atendimentos costumeiros para que você veja com meus olhos o trabalho desta noite e que possa sentir um pouco com meu coração e pensar com minha mente.

– Meu Pai, desculpe pelo desvio…

– Porque tantas perguntas agora?

– Não é agora, são as de sempre, me intriga esta possibilidade de médiuns despreparados e de vida desregrada serem sustentados como estes dedicados e estudiosos que vejo nesta noite.

– Acaso julga que estes são mesmo indivíduos de vida regrada, são preparados e mais legítimos que outros por aí?

– Não sei, ao menos há alguns anos os acompanho e vejo dedicação, empenho e entrega.

– Não, o que você vê é apenas o que ocorre aqui, não é você que os acompanha, eles que te acompanham. Lá fora você nada sabe, quer que lhe aponte uns e outros desvios dos seus filhos? Ou prefere manter-se focado em mostrar o caminho, habilitá-los cada vez mais para que cada um a seu modo, no seu tempo e na sua capacidade, vá absorvendo e praticando os ensinamentos, e com naturalidade vá lapidando seus padrões comportamentais e alinhando seu progresso evolutivo?

– Meu Pai, fico com a segunda opção… O sr. sempre me deixa sem opção (risos). Não me incomoda desastres com médiuns jovens em pleno processo de aprendizado, fico realmente confuso de ver sacerdotes de longa data que na sua vida pessoal, por exemplo, é envolvido com toda sorte de promiscuidade, mas no trabalho espiritual observamos a presença legítima da luz espiritual, é confuso!

– Sejamos objetivos. Partimos da premissa de que todos sem exceção estão em pleno processo de aprendizado evolutivo, humanamente sujeitos a erros, deslizes, vícios, desequilíbrios etc. No entanto podem, apesar de suas limitações, estarem comprometidos com o trabalho espiritual, alimentar os mais sinceros sentimentos de compaixão, fraternidade, caridade e doação espiritual aos mais necessitados. Não é porque você adoece que não poderá ajudar os doentes, não é porque você empobrece que não poderá auxiliar os mais empobrecidos e não é porque você perdeu a fé que não poderá ser auxiliado por alguém que perdeu tudo mas restou-lhe a fé. Manter esta sentença de que a mediunidade é só para os puros, limitaríamos a prática mediúnica a raros ou nulos indivíduos e é uma vaidosa maneira de julgar o outro. No passado, fomos humanos encarnados cheios de limitações e sempre houve aqueles amparadores movidos pelo amor que por séculos acompanham seus tutelados até que estes consigam progredir.

– Compreendo.

– Não são os valores morais católicos que decidem no plano espiritual quem é melhor ou pior, merecedor ou devedor. O indivíduo pode ter muitas dificuldades, muitas limitações e desequilíbrios, mas se alimentar um coração de bem, devotado ao trabalho espiritual para o bem, capaz de se desligar de suas particularidades para deixar-nos fluir em atividade mediúnica, aceite ou não meu filho, mas lá estaremos para sustentar sua mediunidade, auxiliar os consulentes e com a certeza de que assim estaremos também auxiliando o médium, inspirando-o e semeando constantemente valores importantes para sua autolapidação.

– Desculpe meu Pai, mas isso abre margem para o inverso, se torno isso público os indivíduos vão acreditar que podem cometer todo tipo de extravagância, desvios e continuarem amparados pela luz, como que se o velho discurso de que a vida particular nada tem a ver com a vida espiritual fosse verdade. Como que se basta apenas ter amor pela Umbanda ou boa-vontade de ajudar o próximo e pronto, todos seus excessos estão anulados.

– Não, os mal intencionados continuarão tendo seus argumentos como sempre tiveram. E não é verdade, a vida do indivíduo é um conjunto uno, não se separa nada. Compreenda que até aqui falei de questões pessoais no indivíduo, que não venham a se misturar de fato com o trabalho espiritual. Tudo muda quando falamos de médiuns maldosos, vingativos, negativados de fato e que intencionam se valer da mediunidade para seus fins egoístas e improdutivos. É exatamente neste ponto que um médium perde o apoio dos guias de luz. Quando este quer se valer da mediunidade e de nosso trabalho para fins escusos. Então não seremos coniventes e após tentarmos ajudar ao máximo este médium por si só sairá de nossa frequência vibratória e atrairá para seu convívio seres iguais a ele, independente de nossa vontade.

Portanto, o que mantém a sustentação espiritual de um indivíduo é o que ele traz no coração e, mesmo os mais embrutecidos e limitados, podem ter um coração comprometido com o bem. Tome cuidado com o excesso de normas morais, porque neste âmbito muito ainda é discutível.

– Tudo bem meu Pai, mas ainda assim continuo sem entender, por exemplo, uma pessoa que traí seu cônjuge por mera promiscuidade, uma pessoa que sempre que pode tira vantagem sobre o outro, engana financeiramente seu sócio, uma pessoa viciada no álcool ou outras químicas enfim. Não estariam estes sujeitos à perda de sustentação espiritual? Estes estão ilesos? Qual portanto é a vantagem de eu me preocupar constantemente em ter controle sobre meus impulsos instintivos, superar minhas limitações e dominar meu negativismo? Então posso eu dar vazão a toda minha rebeldia interna que está tudo bem? O sr. continuará aqui me sustentando e guiando este trabalho espiritual? Onde se encaixa a orientação de que nossa vida é una e que tudo se entrecruza?

– Filho, quando um indivíduo trai a confiança do outro, quebra assim um acordo de lealdade e fidelidade, ou quando mergulha nas dependências químicas, vive na promiscuidade e tantos desvios comportamentais que você possa citar, este indivíduo cria pra si com o tempo uma atmosfera negativa, quebra suas defesas vibratórias e se expõe a todo tipo de assédio e obsessão espiritual pertinente àquele padrão que criou. Com o tempo paralisará seu progresso e enfraquecerá o seu contato com os guias de luz. Não poderá ter a satisfação de praticar o que prega ou o que houve, não será inspiração para ninguém e tornará sua trajetória quase que injustificável. Cada caso é um caso, deve ser observado atentamente. Por fim este indivíduo poderá submergir tão profundamente nos seus desequilíbrios que nem mesmo sua religiosidade terá mais sentido. É por este viés que as Trevas se instalam e dão sequência a uma ação devastadora na vida do indivíduo e dos envolvidos intimamente com ele.

Então esta é uma realidade que o próprio indivíduo estará criando para si e depende do nível de comprometimento com o desequilíbrio que o próprio está estabelecendo, e isso não tem de fato relação direta com a noção de moralidade estabelecida. Aqui entramos nos resultados de ação e reação, lei das afinidades.

– Então o que foi dito inicialmente parece que está desconstruído agora, meu Pai!

– De maneira alguma, uma situação é o indivíduo que tem uma ou outra dificuldade comportamental que só atinge a si mesmo, mas que ainda luta por se manter vinculado ao trabalho espiritual, reconhecendo suas fraquezas e limitações e que sinceramente mantém consigo a consciência de que precisa se superar, reverter o padrão equivocado e que conta com nosso apoio para tanto.

Outra situação é o indivíduo que se deleita no desvio comportamental, que articula suas sandices e se mantém assim por puro egocentrismo e vício, causando dor e mal ao seu redor, não se compadece com seu próprio infortúnio e fecha-se às possibilidades de conceber seus próprios erros e fraquezas.

Uma coisa é nós insistirmos com quem definitivamente rompe com nossa parceria e propósito e outra coisa é rompermos com aquele que é humanamente frágil mas diariamente antes de dormir se lembra de seus erros, sofre e procura de alguma forma, ainda que lentamente, ir mudando seu padrão.

– Não posso tornar isto público, vão distorcer estas palavras…

– Seu dever, meu filho é tornar público e a capacidade de compreensão fica a cargo de cada qual, esta não é sua responsabilidade.

– Entendo…

– Para encerrarmos apenas estamos querendo lhe mostrar que do lado de cá o julgamento moral de vocês encarnados quase nunca se encaixa. Por exemplo: não é porque uma pessoa se envolve numa determinada situação ilícita, ou mesmo desleal, que este está fadado a “queimar no inferno”. Agora, a insistência, o prazer no erro poderá sim manter o “caldeirão fervente”.

O problema nunca é errar, mas sim manter conscientemente, articulosamente um padrão de erros e prejuízos. Este tipo de indivíduo não consegue manter religiosidade, não se sentirá atraído pela ideia de evolução espiritual, pois isso será um contrassenso, de modo que, naturalmente, este indivíduo que venha ser atraído por assuntos espirituais será aquele que alimenta estes seus desvios. Portanto isso não tem mais relação com Umbanda ou com qualquer religião de fato.

 Sobretudo meu filho, evite o julgamento baseado em si próprio. O ser humano é mais complexo, suas necessidades, seus tormentos, suas inclinações, fraquezas e mesmo potencias não são repetidos num outro semelhante, cada qual é único e do lado de cá é assim que nos relacionamos, sem colocar tudo num só “balaio”, mas nos envolvermos com a individualidade e ajudar. Ontem fizeram isso conosco, hoje é nossa vez.

– Compreendo meu Pai, mas ainda assim me sinto perturbado, vejo coerência, mas me parece que temos brechas para o errante se apoiar.

– Mas não estamos querendo criar nenhuma forma de engessamento. Não é uma ditadura comportamental meu filho. Isso gera rebeldia, e na rebeldia quem se prejudica é o rebelde. E o errante que quer argumentos, acredite, não será aqui que os terá, pois ele sempre tem um bom discurso, mesmo que só ele acredite, e é só isso que basta a ele.

Não tema, prossiga!

– Obrigado meu Pai!

– Vamos encerrar a Gira.

Não tinha me dado conta, já faziam quase duas horas que estávamos nesta prosa. Ainda por alguns segundos pude ver a Gira pelos olhos do Sr. Caboclo, olhos de compaixão, pude sentir a corrente mediúnica com seu coração, coração resignado e fraterno e pude pensar sobre tudo aquilo com sua mente, mente que transcende. Acima de tudo esta estava sendo uma experiência mediúnica nova, intensa e intrigante.

Quase senti vergonha dos meus pensamentos, mas logo passou, aceitei que este é um ponto necessário de ajuste, comecei a aceitar melhor minha própria limitação.

Os Caboclos desincorporaram e os médiuns retomavam suas feições. Pai Tupinambá ainda discursou com os presentes e foi-se “embora, para o Juremá, deixando um abraço forte, com a certeza de que vai voltar”…

Ele sempre volta!

*Experiência mediúnica ocorrida no dia 11/01/2013

FONTE: Rodrigo Queiroz / http://www.rodrigoqueiroz.blog.br

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PERFIL UMBANDISTA DO SÉCULO XXI

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Eu conheci a Umbanda e desenvolvi minha mediunidade num ambiente comum para a grande maioria da religião. Um ambiente de fé, amor e dedicação, porém com uma dificuldade muito grande de perceber o mundo e sua dinâmica construção como algo que influi em todos nós, bem como na religião que é feito por indivíduos.

A Umbanda surge num período em que era comum a ideia de que os mais velhos sabem das coisas e que o jovem não deve contestar, pois isso num ambiente social era um desrespeito e num ambiente religioso é heresia.

Carregada de influencia católica e espírita esta cultura de certo modo impositivo era natural na religião e isso pioraria com as influências da cultura religiosa africana (candomblé) onde o neófito tem o direito e o dever de ouvir, não falar e obedecer.

Todos sabemos que a Umbanda surge de uma maneira “rebelde”, lembrando as palavras do Sr. Caboclo das 7 Encruzilhadas, manifestado em seu médium Zélio de Moraes, que ao ser questionado sobre a sua presença numa “mesa espírita” retruca “-Por que não podem nos ­­­­visitar estes humildes trabalhadores do espaço, se apesar de não haverem sido pessoas importantes na Terra, também trazem importantes mensagens do além? Porque o não aos caboclos e pretos velhos? Acaso não foram eles também filhos do mesmo Deus?” e sentencia “-Amanhã, na casa onde meu aparelho mora, haverá uma mesa posta a toda e qualquer entidade que queira ou precise se manifestar, independente daquilo que haja sido em vida, todos serão ouvidos, nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos aqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas a nenhum diremos não, pois esta é a vontade do Pai.”

Diante esta passagem é inevitável lembrar de Jesus, que ao ser perseguido por pregar diferente dos líderes da sua época defendeu sua verdade até a morte.

Em todo o mundo e em épocas diversas temos histórias como estas que resumem o conflito natural entre gerações, costume, quebra de paradigmas e o processo transitório de renovação dos tempos ou de uma “verdade”

Esta introdução é necessária para percebermos que a Umbanda vive hoje e viverá muitas outras vezes algo natural neste plano físico. Estou falando deste período que já vem de uns 15 anos atrás em que a Umbanda, embora cronologicamente muito jovem, vive crises e confrontos como as religiões milenares…

Por conta dos costumes antigos expostos acima instituiu-se dentro da Umbanda uma confusa relação entre o jovem e o antigo, entre o mundo externo e o interior do terreiro, entre ser simples e simplório, daí por diante.

Quando Rubens Saraceni publicou seus primeiros livros ditados por um Preto Velho e um Ogum ocorreram dois grandes fenômenos, milhares de fiéis que o reconheceram como um importante revelador de questões racionais da espiritualidade Umbandista e também centenas de líderes enraivecidos, pois nesta época livros facilmente acessíveis minaria suas estruturas controladoras e manipuladoras das mentes e corações dos incautos fiéis.

Mais de duas décadas se passaram desde que Rubens iniciou sua missão literária que hoje em pleno século XXI os tempos são outros e a cada novo ano muito no mundo se transforma, não estamos mais na era da carroça, estamos na era da tecnologia de informação, da internet, das múltiplas conexões e o fim das distâncias.

Certamente Zélio de Moraes que com seus 17 anos funda uma religião, jamais podia imaginar que em tão pouco tempo, os tempos seriam outros.

É preciso que sejamos sensatos, razoáveis e conscientes. Toda tecnologia a nossa disposição serve para nos beneficiar, lembro sempre que tudo que ocorre aqui no plano físico em inovações, invenções e avanços naturalmente é inspirado pelo astral, de modo que não tem nada de errado aliar as diversas ferramentas de comunicação que temos para que se dissemine, expanda e popularize nossa fé e nossos saberes.

Ainda é comum encontrarmos sacerdotes de Umbanda que proíbem seus filhos de santo estudarem, lerem ou pesquisarem sobre a religião, usando do discurso do medo e ameaças das mais estapafúrdias. Entretanto é impossível, hoje pelo celular qualquer um digita Umbanda num buscador e será apresentado milhares de links para site e blogs com estudos diversos sobre a religião.

Digite Orixá e você não dará conta de tanta informação que surgirá… Portanto só se engana, se aprisiona ou se mantém na ignorância quem opta por isso. Ainda que existam sacerdotes manipuladores, só é manipulado quem se predispõem.

Quando Rubens Saraceni formatou seus estudos em cursos livres foi outra revolução, não pelo fato dos cursos, pois isso já era comum nas capitais, em especial em São Paulo, mas pela maneira arrebatadora como ocorreu, milhares de pessoas convergindo no mesmo lugar para escutar o que ele tinha a dizer, rapidamente ele preparou outras pessoas para continuarem este trabalho e hoje somos centenas de dirigentes instrutores da religião e é impossível mensurar o alcance de tudo isso, sabemos que são outros tempos e a Umbanda está recebendo um novo perfil de religiosos.

Este novo perfil é do indivíduo antenado, multimídia, despojado, polivalente e de certa maneira rebelde, pois tem força para confrontar com um padrão de mesmice e ocultação dos saberes para se conectar com uma maneira simples, livre e tecnológica de acessar e aprender sobre a religião.

Quando criamos o primeiro colégio virtual de Umbanda, muitos dos líderes despojados também estranharam e ficaram receosos, mas logo superou, pois é básico saber que estamos num mundo modernamente dinâmico.

Hoje a plataforma Umbanda EAD que é nossa referência em ensino online da religião, que vem inspirando outros arrojados empreendedores, agrega milhares de Umbandistas no Brasil e outros países. Todos conectados com o mesmo propósito, acessar conhecimentos sólidos, metodológico e global acerca de várias temáticas da religião num ambiente de ensino-aprendizagem onde todos colaboram para quem sabe mais ensinar quem sabe menos.

É um advento, estamos diante o futuro no presente, a educação no mundo vem tomando novas proporções de disseminação, não seria diferente no campo religioso.

O novo perfil Umbandista não aceita respostas curtas e tampouco omissões, não é admissível respostas clássicas do tipo “não está na hora de saber”, pois é claro que a hora certa de saber algo é no momento que surge a dúvida, o movimento de querer aprender, o interesse em saber.

Este novo perfil evita ambientes obscuros, carregado de um clima de mistério, onde o comportamento mediúnico foge do bom senso. Não os agradam líderes que não dialogam que não ensinam rotineiramente, que não orienta. Afugenta-se este novo perfil diante pontuações do tipo “seu guia sabe tudo, você não precisa saber nada”. Isso suspende a ideia de evolução, onde cada qual deve cuidar da sua e aprender é o alicerce para promover a evolução.

Este novo perfil Umbandista é o que vai acolher as novas gerações e garantir num futuro breve o crescimento massivo e ordenado da religião, pois se no passado foi vertiginoso o crescimento da Umbanda pela emoção, seu esvaziamento se deu pela falta de conhecimento.

Por fim, este novo perfil tem um controle melhor do ego e não se envaidece com parcas informações, pelo contrário, tem orgulho em perguntar, satisfação pelo constante aprendizado e por consequência prazer em ensinar. É disso que a educação vive em todas esferas.

Hoje sabemos que quem não ensina é porque não aprendeu, quem não responde é porque não sabe.

Vivemos um período de transição na Umbanda, de reconstrução, de maturidade e neste novo tempo que urge, não há espaço para charlatões, interesseiros e mercantilistas do medo.

O perfil do Umbandista no século XXI é exigente, disciplinado, comprometido, dedicado, multimídia, consciente, insubordinável e positivamente rebelde, não aceita nada “guéla abaixo”

Que todos nós de gerações diferentes que fazemos parte desta fé, possamos nos engajar nesta realidade.

Grande abraço, saravá!

Rodrigo Queiroz I www.umbandaead.com.br I www.ica.org.br

Ouça o podcast CONVERSA ENTRE ADEPTUS onde bato um papo sobre este tema no link: http://conversaentreadeptus.com/site/episodio-15-o-perfil-umbandista-do-seculo-xxi/ 

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