ICA – Um Ideal!

Antes que este dia 15 de Novembro de 2011 termine, faltando poucos minutos para a meia noite, venho tentar fixar em registros algumas coisas que hoje borbulhou em minha mente, meu coração, minha alma.

Falar de Umbanda, naturalmente quando se fala de algo que amamos muito é profundamente difícil, as palavras faltam, a garganta embarga e os olhos marejam.

Acabo de chegar do jantar de comemorativo dos 7 anos do ICA, ali presentes estavam as pessoas queridas, dedicadas e comprometidas.

ICA completou sete anos, a Umbanda 103.

Então pensei em Zélio de Moraes, Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas, claro, sem estes não existiria este momento, fundadores desta religião que nos ensina diariamente que com quem sabe mais aprendemos e a quem sabe menos ensinamos.

Entretanto pensar nos sete anos do ICA são tantas lembranças, tantas pessoas, histórias e mais histórias. Me dou conta de como o tempo é devorador ao mesmo tempo que efêmero. E confirmo assim que realmente a vida é o que e como vivemos, o que aprendemos e acima de tudo o que oferecemos.

A história do ICA é escrita por muitas mãos, muitas mesmo. Por corações apaixonados, envolvidos e fieis. Também é registrado por mãos passageiras, corações temporários e muitas vezes por aqueles que ainda não se comprometeram nem mesmo consigo. O fato é que sempre cada um deixa um pouco de si e leva-se um pouco do ICA.

Tudo bem, já escrevi bastante e muito pouco perto dos meus pensamentos…

Quero compartilhar o que sinto realmente. Neste dia, repetidamente, como quando colocamos um cd para tocar e habilitamos o “repeat”, o ponto “Estava na beira do rio, sem poder atravessar…” ficou tocando na minha cabeça.

Pensando com gratidão no Sr. Caboclo Tupinambá, entidade responsável pela implantação e progresso espiritual deste ideal, não um ideal de religião apenas, mas sim um ideal de vida, de comunidade, de sociedade e de espiritualidade.

Este ponto cantado, tão simples e tão profundo…

“Estava na beira do rio, sem poder atravessar…”

Em algum momento da vida nos encontramos à beira do rio, simbolicamente é aquele momento crucial, “fim da linha”, o ponto onde você já não pode correr, se esconder, fingir. A beira do rio é aquele momento de limite existencial, é quando tudo o que acreditamos já não tem a mesma verdade, quando nossas crenças já não sustentam mais nossas dúvidas existenciais, já não acalma o coração e não mantem um sentido para a vida. … a beira do precipício, o fundo do poço, a rua sem saída.

Era assim que ainda adolescente me sentia quando aprendi a entoar este ponto…

 “Chamei pelos caboclos, Caboclo Tupinambá… Tupinambá chamei, chamei tornei a chamar”

Desde a primeira vez e até hoje quando juntos cantamos este ponto, fecho os olhos e sempre me vejo abraçado nas costas deste Caboclo, me atravessando por um longo e profundo rio até a outra margem.

 Também até hoje não chegamos na outra margem, nunca me vi na outra margem.

Perguntei ao Sr. Tupinambá, hoje, enquanto todos cantavam e palmavam, porque nunca vi tal imagem. Ao que respondeu:

“A outra margem é a outra realidade da existência. … o resultado final da travessia, e também o menos importante, pois a outra margem será nada menos que o resultado de como procederá nesta travessia, meu filho.

A travessia é a vida, é esta vida. … o que está fazendo, é a obra que está realizando, é tudo o que você é e o que poderá ser.

O rio é da extensão da vida. Nele há correntezas contrárias e esporadicamente correntezas que lhe impulsionarão, durante a travessia teremos tempestades e dias muito ensolarados, algumas vezes poderá desfrutar de águas serenas e arriscar um breve descanso, mas jamais pare de nadar. Ter fôlego em todas as circunstâncias é determinante. Olhe a sua volta, olhe seus filhos, sua esposa, sua família espiritual, olhe e veja sempre em cada um parte da outra margem.”

E fui despertado com os aplausos finais ao ponto.

Estas palavras, mais que registradas em mim está compartilhado aqui.

Este dia foi especial, sem palavras, então o meu sincero e emocionado obrigado a todos que fazem parte desta história.

A todos de ontem, os de hoje e os que virão.

Minha esposa, companheira, que dentre tantas qualidades, compreende o motivo de muitas ausências. Meus filhos, meus motivadores, parte de mim, que tanto me acompanham. Meu emocionado obrigado.

Obrigado Pai Tupinambá, por ser o realizador de tudo isso e ter me aceitado nesta longa travessia…

Parabéns Umbanda,

Parabéns ICA,

Saravá!

Rodrigo Queiroz – 15/11/2011 – 23hs50

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Arquivado em Família, Umbanda

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