TER OPINIÃO, PODE?

Sobre consciência política na Umbanda
Por Rodrigo Queiroz
Saudações irmãos leitores, internautas, Saravá!
Venho escrever este texto por vários motivos. Tenho recebido diariamente várias solicitações para que manifeste minha opinião acerca do tema política x religião, dentre outros que rolam pelas listas virtuais.
É “regra” no meio da comunicação, não importando o formato, que o comunicador não manifeste opinião. Então, venho por muito tempo em conflito pessoal, pensando: até onde este conceito é válido? Quem é uma pessoa sem opinião? Afinal, existe uma linha divisória entre opinar e querer persuadir. Daí penso sobre este conceito e me deparo com a idéia da democracia, da liberdade, da opinião e expressão. Mas logo vem o “fantasma do protocolo” sussurrar nos meus ovidos: “Tome cuidado, afinal você é um comunicador”. E penso na revista Umbanda Sagrada, no programa Voz da Umbanda, no JUS, na TVUS, no Blog, Templo, etc. Então resolvi levar pro terreiro este tal “fantasma do protocolo” numa “sessão de descarrego”. Já estava ficando deprimido, pois, como todo ser humano, sou racional, penso, existo, opino, decido. Oras! Porque mãos atadas?
Agora decido me manifestar!
Estamos num período importante pro país, o período eleitoral. Lembro que há uma década, por onde passei, não se podia falar na hipótese de um religioso umbandista, independente de seu cargo religioso, pleitear um cargo eletivo. Era uma heresia, um pecado, enfim, tudo por conta da cultura de que política é sinônimo de sujeira, de picaretagem. Aliás, picaretagem em nosso meio religioso é algo tão raro, não é mesmo?
Por fim, isso tudo denota sempre uma falta de consciência política e má formação cidadã. Não existe outro caminho de realização efetiva para mudanças numa sociedade a não ser por meio das ações políticas. Isso vim descobrir ao longo desta década, conhecendo a história da nossa religião em outros Estados, como o RS que teve em Moab Caldas o primeiro Deputado Umbandista eleito na história do país, e lá começou algo de extrema importância para o desenvolvimento da religião; podemos afirmar que a situação política e cultural da sociedade gaúcha em relação à Umbanda é bastante diferente e melhor do que em qualquer outra região do nosso país. Temos historicamente nesse mesmo Estado o Mestre Marne, que como vereador implantou muita coisa, e atualmente o Presidente da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, Sr. Édio Elói Frizzo, um defensor da nossa comunidade e nossos direitos. Temos Átila Nunes e seus sucessores no Estado do RJ, que fazem da política um instrumento de realização e promoção de algo (no sentido de promover, mudar, acontecer) numa sociedade. No entanto, percebemos neste momento atitudes desagregadoras partindo de líderes da nossa religião, que, ao invés de estimular a importância de uma consciência política, vêm na contra mão com alegações que perdem o sentido quando desmascaradas da ilusão de crer que Deus nada tem a ver com política. Diga-se de passagem que esta idéia foi incutida pelo Catolicismo no momento em que inflava o mundo com suas idéias e conquistas através de articulações políticas.
Pois bem, quando falo de consciência política quero instigar você leitor a refletir sobre o que você espera de um candidato, independentemente de religião, não esqueça que antes de ser um religioso você é um cidadão comum a todos, e isso lhe imbui de uma grande responsabilidade coletiva, em que um voto significa a sua voz e seu poder de decisão e realização.
Eu penso que um candidato precisa atuar numa sociedade por completo e sei que um candidato amparado pela Umbanda tem condições maravilhosas de percepção das necessidades sociais. Porque afirmo isso? A equação é simples. A Umbanda sempre serviu de forma massiva para auxiliar a sociedade em suas necessidades, quer seja ela espiritual, material, psicológica e social. Veja, na década de 60 a 80, a linha dos Baianos serviu como um apaziguador para aqueles que saiam do campo (zona rural) pra tentar ganhar a vida na zona urbana. Neste choque ambiental e cultural buscaram na Umbanda o fortalecimento da sua fé, tendo nos Baianos uma linha de espíritos que retratam este arquétipo, aquele que viveu no campo e já está muito bem adaptado na cidade. As pombagiras vêm no mesmo período acalentar as mulheres quando o movimento feminista começa tomar grande visibilidade em nosso país, então aparece uma linha de espíritos confirmando que mulher tem sua beleza, sua força, seu brilho e independência, que ninguém diga o contrário. Assim por diante. Enfim, é ou não é uma ação política? Política numa definição prática é a resultante da necessidade de organização humana.
Semanalmente recebemos em nossos terreiros todo tipo de pessoa, de classe social, de cor, partido etc. Todo tipo de problema e necessidade. E quando uma mulher vem ao pé do Preto Velho reclamar que é violentada pelo marido, ou um jovem reclama a falta de emprego, o idoso chora a falta de atenção e oportunidade, o pai de família se desespera com o descaso do hospital público que o fez perder seu filho, quando um negro se entristece com preconceito racial, um homossexual se apega nesta religião livre por não tolerar tamanha homofobia, e nós mesmos Umbandista já não agüentamos mais tanta intolerância, etc. Esperam da Umbanda, dos Guias, uma solução, um milagre! E pergunto: o que podem os guias fazer? Ainda vamos nos enganar, achando que um espírito vá a um departamento de RH garantir o emprego do fiel, que um exu vá atormentar um Juiz pela causa de um fiel, ou que num acender de velas vamos acabar com a intolerância, preconceito, violência e descasos sociais? Desculpem-me, mas se crer nisso é ter fé, sou o mais incrédulo dos homens.
Portanto, sei que como Umbandista e pelos valores que a Umbanda me traz tenho um compromisso real com a humanidade, com a sociedade, que me permite pensar efetivamente sobre estas questões. Olhem que nem sou candidato!
Hoje, penso que devemos apoiar candidatos umbandistas e se, por ventura, na sua cidade não tem candidato umbandista, então que se formate para as próximas eleições um de nosso meio, caso esteja aparecendo um candidato não umbandista que tenha o apoio da Umbanda, então uso aqui as palavras do Ogã Dr. Hédio Silva Jr., ex-secrétário de Justiça do Estado de SP, quando questionado sobre como podemos identificar um candidato realmente compromissado com a nossa comunidade: “Este candidato deve expor esse compromisso em seu material de campanha e ser fotografado junto à comunidade e líderes da religião”. Reforçando que compromisso com a comunidade é compromisso com a sociedade. Não queremos ninguém pregando em plenário, queremos sim alguém fazendo valer os direitos de todo cidadão. Queremos de fato um país laico onde seus executivos e legisladores não tenham proselitismo nem prediletismo com os seus particulares.
Assim vou finalizando este texto, agradecendo sua atenção. Não estou pedindo voto a ninguém, mas reitero que votemos nos nossos, pois dos nossos podemos cobrar pelos outros. Pense nisso. Abaixo seguem alguns nomes que tenho notícia da candidatura.

São Paulo – Capital
Prefeito: Geraldo Alckmin 45
Vereador: Pai Guimarães 25.777
Bauru – SP
Prefeito: Caio Coube 45
Vereador: Mantovani 45.444
Rio de Janeiro – Capital
Vereador: Átila Nunes Neto 25.253
Caxias do Sul – RS
Vereador: Édio Eloi Frizzo 40.500

Vitória – ES
Vereador: Reinaldo Bolão 13.456

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