LINHA E ARQUÉTIPO DOS GUARDIÕES EXU

Por Rodrigo Queiroz
Ditado por Sr. Tranca Ruas das 7 Encruzilhadas

“Exu de Umbanda é um espírito humano que sofreu sua queda, se redimiu e trabalha nas Trevas em prol da Luz, na busca de sua evolução em auxílio dos encarnados.”

– Salve tu “cabra”!

– Salve vós Exu!

– Então escreve aí… Já que tanto se fala sobre nós e pouco se consegue entender vou tentar colocar minha colaboração.

– Obrigado Exu!

– Somos vocês amanhã. Há há há. Se é que deu pra me entender. Somos como vocês, vivemos uma série de oportunidades terrenas, quando se chegou num determinado “limite” a oportunidade de evoluir na carne estava esgotada, por incompetência nossa mesmo.

Vou organizar o raciocínio. De maneira coletiva, Exu na Umbanda, este que incorpora é um espírito humano e digo isso pra poderem começar entender que somos totalmente diferentes do Exu cultuado na África através do Culto de Nação e no Brasil através do Candomblé que neste caso são Encantados e isso é outra história.

Em nosso caso somos um espírito comum. Que viveu sua experiência pessoal e num certo momento de fazer o “acerto de contas” o saldo estava negativo. Assim negativo tornou-se o nosso espírito. Desta forma somos enviados para as faixas negativas que no seu conjunto é chamado de Trevas. Cada qual dependendo do seu histórico vai habitar uma faixa própria pertinente à seu caso.

Então vou falar por mim.

Depois de eu ter amargado meus erros. Saiba que o purgatório existe. Já mais conscientizado da realidade existencial fui convocado para assumir um grau e trabalhar numa falange de espíritos que ainda vivem nas Trevas, numa faixa limite entre Luz e Trevas e que atuam junto ao plano físico fazendo a fronteira entre a Luz e a Escuridão e diria que pertencemos ao “Sol poente”, pois o espírito que assume o grau de Guardião ou Exu como usado na Umbanda não está mais mergulhado na escuridão e tampouco vive na luz, estamos do limiar destas duas realidades.

– Entendo …

– Pois então… Somos trabalhadores das Divindades, na Umbanda conhecidos como Orixás, mas nós Guardiões do Astral não somos um “produto” da Umbanda, estamos entre os seres humanos em todas as vertentes religiosas ou não. Nas casas, estabelecimentos comerciais, públicos, natureza etc. Lá estamos nós.

– Mas Exu, vocês podem, por exemplo, fazer a guarda de uma igreja evangélica?

– Se não fosse nós quem o faria? O “espírito santo”? Há há há. Cabra, do lado de cá não tem esta briga sobre o Divino e Guardião é um grau do espírito humano e não um privilégio de uma ou outra vertente religiosa. Pertencemos ao Criador e estamos espalhados por todo o planeta e somos desta forma um cinturão de proteção planetário.

– Mas e vocês fazem a guarda de uma igreja vestidos como no terreiro?

– É claro que não! Pra cada lugar uma forma própria. Já pensou quem tem o dom do espírito santo ver um Guardião com tridente na mão? Há há há. Seria uma loucura. Neste caso ficamos de terno e gravata. E como disse, para cada caso um forma própria.

– E onde entra os Orixás neste caso?

– No mesmo lugar onde entra os Devas, os Santos e os Deuses…

– Como assim?

– Cabra, cada vertente religiosa tem sua forma própria de interpretar e rotular o Criador e seus “braços”. Uns chamam estes “braços” de Orixás, outros de Santos, outros de Deuses e por aí vai. O que não se pode esquecer é que a essência é uma só.

– Mas sempre esquecem, não é Guardião?!?

– É sim. Até então é normal. No entanto, tudo que há debaixo do Sol está “subjugado” a Ele e é tudo uma conseqüência Dele. Deu pra entender?

– Sim e não!

– Bom, os nomes que levamos na Umbanda são simbólicos e retratam de forma analógica qual a ancestralidade e campo de atuação do espírito. Eu sou Exu Tranca-Ruas das 7 Encruzilhadas, logo, sou um espírito que desenvolvi uma capacidade “EXU”, que na energia da Divindade de mesmo nome é a força que vitaliza e desvitaliza tudo no Universo. Tranca-Ruas é um símbolo de Ogum, pois tudo que abre também fecha e 7 Encruzilhadas é um símbolo de Oxalá pois é o cruzamentos das sete linhas do Criador cultuado na Umbanda como Sete Linhas de Umbanda que quando manifestado cria uma estrutura religiosa e estimuladora da Fé, por isso então ser um símbolo de Oxalá. Logo eu sou um espírito do Grau Guardião que vitaliza e desvitaliza a Ordem-Desordem (Ogum) no aspecto Religioso-Fé (Oxalá) do ser humano.

– Nossa! Tá certo Exu e como se forma o arquétipo de exu na Umbanda?

– Pois é nosso arquétipo é baseado mesmo na milícia, na organização militar, policial mesmo. Pois a guarda é o que fazemos e o combate aos espíritos desordeiros é o que executamos e não temos nada de ignorante ou trapaceiro, tampouco demoníaco. Chifres, rabos e bagunças fica a cargo da criatividade e imoralidade de vocês encarnados. Diferente dos outros arquétipos baseado no Brasil, Exu não entra nesta categoria, pois Exu está para todas as nações e é uma questão de Grau e consciência.

Somos então o que chamam de Exu de trabalho ou pessoal. Queremos ajudá-los até onde vocês nos permitem.

– Esta permissão deve ser consciente?

– De forma alguma. Ela acontece de acordo com a moral de vocês!

– Então devem estar rara as permissões. (risos)

– Não ria, infelizmente é uma realidade que muito nos entristece. Portanto, isto é assunto pra outro momento.

O que tem que ficar dito é isso. Registre corretamente e multiplique como puder e não esqueça o conceito: “Exu de Umbanda é um espírito humano que sofreu sua queda, se redimiu e trabalha nas Trevas em prol da Luz, na busca de sua evolução em auxílio dos encarnados.”

– Muito obrigado Sr. Guardião. Laroyê!

– Saravá. Fique em paz.

– Salve!

Nota do Médium: Salve a força de Exu! Penso que neste texto temos mais uma chamada de atenção do que mesmo uma explicação sobre o arquétipo. Na linha de Exu, o espírito que assume tal grau como comentado vai manter suas características e encontramos exus de todas etnias existentes. Tivemos notícia até de uma falange de Exus que são Samurais, naturalmente se manifestaram num terreiro que está no Japão. E poderemos ver estas particularidades em outros países. Porém sempre encontramos nos terreiros exus contando suas histórias e narrando que eram europeus, ou africanos ou orientais etc. E o arquétipo fica baseado então na Milícia, pois é o que são.

Vale ressaltar que Exu não é um espírito que precisa ser “doutrinado”, ou que é um ignorante arruaceiro, por favor, vamos afastar estes conceitos depreciativos de dentro dos terreiros. Não confundir animismo e mistificação com uma manifestação real de Exu. Estes espíritos quando chegam ao ponto de assumirem a esquerda de um médium já foram devidamente preparados e conscientizados para tanto. O contrário disso seria o mesmo que mandar um soldado pra guerra no primeiro dia de exército, sem nunca ter pego numa arma e tampouco feito uma marcha, ou seja, desastre na certa.

Assentamento:

– 01 garrafa de boca larga de vidro (gatorade);

– pinga;

– 01 tridente quadrado;

– 01 pedra ônix;

– palha da costa;

– erva pinhão roxo;

– mel;

– 01 vela 7 dias preto;

– 01 fita cetim preto fina 50cm;

– 01 charuto;

– incenso de patchouly.

Preparo: coloque dois dedos de mel na garrafa, coloque a pedra, a erva e a pedra. Encha com a pinga. Tampe (tampa de metal) e fure a tampa com o tridente que deverá ser fincado até tocar no mel e as pontas ficam pra fora. No meio da garrafa amarre a fita com sete nós. Acenda o incenso e o charuto dando sete barofadas. Acenda a vela.

Toda semana acenda ao menos uma vela preta. Sempre que fizer esta firmeza semanal, pegue o charuto e dê três baforadas, concentrado nos pedidos e orações.

Troque os ingredientes trimestralmente, podendo manter apenas a garrafa, a pedra e o tridente.

Mantenha fora de casa.

Oração de assentamento:“Divino Criador, Divinas Forças Naturais, Divinos Orixás, neste momento vos evoco e peço que imante este assentamento, consagre e o torne um portal por onde a força de Exu possa se manifestar, servindo de minha proteção e chave de acesso aos Guardiões de acordo com o meu merecimento. Peço que a força dos Exus esteja presente e receba minhas vibrações.”

Ps.: Este é um assentamento universal para a linha de Exu, que pode ser consagrado a um Exu (a) específico ou deixar aberto de forma universal.

Faça isto com fé e amor, terá ótimos resultado!

Fonte: este texto faz parte da apostila que compõe o material de estudos do curso Arquétipos da Umbanda, desenvolvido e ministrado por Rodrigo Queiroz.
BLOG:
http://www.rodrigoqueiroz.blogspot.com/

7 Comentários

Arquivado em Uncategorized

7 Respostas para “LINHA E ARQUÉTIPO DOS GUARDIÕES EXU

  1. Manoel Felippe

    Olá ! Rodrigo !
    Minha 1° vezes ,muito bom, preciso muito estudar , obrigado .

  2. Inês

    aprendi muito com esse texto …agradeço de coração ….

  3. Cátia Costa

    olha eu aqui de novo…hehehe.
    Tudo bem Rodrigo?
    Li sobre assentamento de exu e na parte que fala como montar você coloca assim: “coloque a pedra, a erva e a pedra”…eu imaginei que no lugar de uma das pedras seja a palha da costa. Minha pergunta é “quanto” de palha? outra coisa, tenho um altar e firmeza de exu dentro de um quartinho. Vc pede pra colocar esse assentamento fora de casa. Não posso colocar junto da firmeza? Por quê?
    Abraços fraternos

  4. Camila Ribeiro

    Gostei muito cada dia
    apendo mais sobre estes
    guardiões do astral um
    texto muito inteligente
    assim como essas entidades!
    “LAROYÊ EXU”

  5. Anonymous

    Salve Rodrigo,

    Muito bom. Parabéns por partilhar conosco!

    Olha só, participei de um trabalho no Brasil (no interior) que não tinha denominacao de Umbanda e nenhuma ligacao, mas as pessoas incorporavam espiritos de chineses. De forma geral incorporavam duas classes de espiritos. Os instrutores e medicos, muitas pessoas nesse dia eram auxiliadas nas consultas (as vezes era 4 a 5 horas só de tratamento, onde pessoas era atendidas e uma classe que se auto-denominavam de Guardioes. Diziam que eram como policiais do Astral. Manipulavam punhais como ninguem, e mesmo incorporados em uma mulher, faziam demonstracoes com os punhais que somente uma pessoa muita habilidosa, talvez mesmo um artista circense consegui-se. Mas isso no inicio, depois com o tempo eles já não fazim isso. Eles diziam tambem que foram samurais e por causa das guerras ocorridas na China de antigamente (China Imperial), tinha coisas a resgatar. Era um belo trabalho que ocorria em Bauru e Santos.

  6. Carlina

    Que lindo texto Rodrigo.

    Temos muito o que aprender e muito o que agradecer a estes companheiros.
    Concordo com Adriana, é de emocionar.

    Salve todos os Exus!!!

    Abração

  7. Adriana

    Mor,
    Eles são incríveis e muito sábio, sempre nos ensinando e nos direcionando. Tenho muito respeito pelo Sr. Tranca Ruas da 7 Encruzilhadas. Como um Pai mesmo. Fiquei muito emocionada ao ler este texto. Ele conseguiu passar toda a sua energia, que é muito boa.
    Laroyê Exu!!!!!!!
    Laroyê Sr. Tranca Ruas
    Beijos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s