FIRMEZA DO TERREIRO

Por Rodrigo Queiroz

Sexta-feira, noite de lua cheia, clima morno e céu estrelado, para todo efeito um dia perfeito.
A brasa ardendo no turíbulo provocando o carvão a crepitar anunciando fogo ardente para receber as ervas…
No espaço físico do terreiro muita movimentação, médiuns chegando e se preparando para assumirem seus lugares, alguns passavam pano no chão molhado na “água de erva” para imantar e purificar o “chão sagrado”, desta forma um belo aroma circulava no ambiente, um misto de alfazema com folha de laranjeira.
Na curimba o Ogã fazia os últimos ajustes no couro dos atabaques…
Na consulência algumas cambones preparam os panfletos com mensagens de reflexão, outras distribuíam as senhas e recepcionava as pessoas explicando sobre os trabalhos da casa. Como é costumeiro sempre chegam aqueles que visitam pela primeira vez uma casa de Umbanda e despendem mais atenção…
No Congá o Dirigente finalizava as firmezas acendendo as velas, incensos e colocando as bebidas nas taças de alguns assentamentos.
Na Tronqueira o Pai Pequeno firmava os “cabras”, os Exus e Pomba Giras para a segurança dos trabalhos.
Tudo correndo perfeito como de costume e parecia que seria mais uma sexta feira como as outras, mais um trabalho…
Do lado etérico as coisas aconteciam, o chão limpo com ervas brilhava uma luz esverdeada que era capitada pelos pés dos médiuns que ali só podiam pisar descalços, esta sutil luz era absorvida e percorrendo pelo corpo etérico dos médiuns causava uma sensação de tranqüilidade, do altar a cada vela acesa raios como fios de cabelo se espalhavam pelo terreiro e queimava miasmas nos corpos de quem chegava, outras velas recolhiam pra dentro de si algumas energias e outras tantas emanam energias variadas que iam sendo absorvidas por todos os presentes. Na Tronqueira o Pai Pequeno Luca não se sentia bem. No assentamento feito com alguidar, moedas, pregos e pedras banhadas no marafo havia um aspecto diferente aos seus olhos, do nosso ele estava invertido, ou seja, por ele, que é um pequeno portal de transito energético emanavam uma espécie de gás denso e negro, entorpecendo a percepção mediúnica dele que representava ali dentro alguém de muita segurança.
– Salve tu Calunga!
– Salve Cobra Coral.
– Do que está precisando companheiro?
– Fui avisado que esta noite será trabalhosa…
– Todas são companheiro, pra nós nunca falta trabalho, há há há.
– É Exu, mas hoje teremos “gente grande” pra derrubar e meu aparelho está prejudicado com a presença daquele gás maldito dentro da Tronqueira.
– Então…
– Então é onde preciso de você que não se prejudica com este tipo ação. Entre lá e cesse este portal.
– Certo Calunga, vou lá.
Exu Cobra Coral chamou dois acompanhantes e adentraram na Tronqueira. Não era muito espaço, mas tinha uma atuação ampla.
Pai Luca sentia-se zonzo e forçava sua visão para tentar encontrar de onde vinha aquela sensação, Exu Cobra Coral se aproximou dele e o cobriu com um manto, sacou um cajado em forma de cobra e quando cravou no meio do assentamento, uma explosão aconteceu e num só ato ele foi tragado junto com seus companheiros pra dentro daquele portal. A explosão foi percebida pelos demais Exus que estavam de sentinela. Do lado físico, o alguidar estilhaçou, Pai Luca já estava melhor e se assustou com o fenômeno, saiu da Tronqueira, deixando lá os pedaços do assentamento.
Exu Calunga correu para a Tronqueira e se assustou ao ver as paredes manchadas de sangue preto e larvas espalhadas pelo chão.
– Dona Sete Saias, cuide da Tronqueira junto com o Exu Tranca Tudo, selem este espaço, ninguém entra e ninguém sai. – ordenou Calunga aos dois sentinelas.
– Certo querido. – aceitou Dona Sete Saias.
– Luca, proíba a todos de entrarem na Tronqueira, avise o Seu João para que também não entre. – Calunga inspirou em Luca.
Luca conseguiu captar a mensagem e foi ao encontro do Dirigente João.
– Pai, um momento da sua atenção por favor.
– Sim, diga Luca, o que houve? Está suando e pálido!
– Pai o assentamento do Exu Ferro estilhaçou, eu passei muito mal lá dentro e o Seu Calunga me inspirou de que ninguém deve entrar lá, inclusive o Sr. até que se inicie a gira.
– Até eu Luca? Mas…
– Pai siga meu conselho.
– Está certo Luca, afinal faltam cinco minutos pra iniciar a gira e não posso mais me dispersar, vá tomar uma água e se posicione no seu lugar.
– Tudo bem…
O Dirigente Pai João tentou se concentrar para abrir comunicação com seu Exu Ferro e não obteve sucesso, preocupou-se…
CONTINUA…
(Ditado por Pai Zuluá)

12 Comentários

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12 Respostas para “FIRMEZA DO TERREIRO

  1. Danielle

    estou muito curiosa para ler a continuação deste texto… abraços profe!

  2. Pingback: Conversa entre Adeptus | Firmeza do Terreiro

  3. Elton Francisco

    Estou tentando encontrar a continuação dessa história… hehehehe

  4. Anonymous

    Firmeza do Terreiro.

    Salve irmão Rodrigo! Saudações de nossa familia à você. Primeira vez que entro aqui, achei super interessante o Texto, agora quero saber como continua….

    Demetrio

  5. Adriana

    Olá meu amor,
    Maravilhosa a mensagem que foi passada. Muito feliz daqueles que tem a oportunidade de entrar e ler todas as mensagens que aqui estão.
    Por essas e outras que eu amo a UMBANDA. Temos que ter muita fé para que consigamos sempre mostrar a nossa amada e maravilhosa religião, que é a UMBANDA. Estaremos lutando juntos sempre por um ideal melhor. Pode contar comigo!
    Estou muito ansiosa para ver a continuação do texto. Não demora para escrever, mesmo sabendo que não depende de você.
    Beijos
    Linda
    Beijos

  6. Bruno

    Oi Rodrigo !!!
    parabens pela iniciativa , sou novo na Umbanda e em meio as minhas pesquisas me deparei com seu blog e me impressionei com a riqueza dos textos aqui expostos !!

    Parabéns !!! levo seus textos e o nome de seu blog para todos os meus irmãos de fé !!!

    E ve se põe logo essa continuação estou ansioso pra saber o que vai acontecer rsrsrs !!!!

    abraço !!!

  7. Anonymous

    Oi querido… estou adorando seu blog! Coloca logo essa continuação, rsss.

    Bjão. Pandora.

  8. camila ribeiro

    O “obsessor” do bar
    Escrito por Victor Rebelo
    “O obsessor do bar”

    Anos atrás, durante alguns meses, eu freqüentei um rock bar, na Mooca. Fiz amizade com o pessoal de lá, a maioria artistas. Após tomar algumas cervejas, pegava minha gaita e me juntava aos músicos. Na verdade, eu não sei tocar gaita e estar começando a aprender, mas mesmo assim, em alguns momentos, fazíamos verdadeiras sessões de improviso. Quase todas as noites, de tanto cantar e tocar blues, ao fechar os olhos deitado em minha cama começava a escutar solos maravilhosos, sempre de blues ou jazz. Escutava melodias que ainda não tenho técnica o bastante para reproduzir, seja na gaita ou no teclado.

    Foi uma época legal, de muita criatividade, mas também de alguns excessos. As emanações alcoólicas começaram a me causar algumas perturbações, tanto físicas quanto espirituais.

    Certa noite, já de madrugada, me vi projetado fora do corpo na porta do bar e logo percebi o que estava ocorrendo. Próximo à entrada havia um grupo de espíritos, alguns desencarnados e outros temporariamente projetados fora do corpo, como eu. Fui me aproximando e então, vi um rapaz, de uns vinte e cinco anos, que me chamou a atenção. Ele usava barba e óculos. Não sei por que, talvez intuído por algum dos meus amigos espirituais, cheguei perto dele e fui logo reclamando:

    – Você é um espírito obsessor! Está me perturbando!

    Ele continuou na dele, sem nada dizer, apenas me encarando. Então continuei.

    – Por que você faz isso? Por que está fazendo a turma beber até “encher a cara”?

    Para meu espanto, ele respondeu com a maior naturalidade:

    – Pare de ser hipócrita! Não sou eu quem faço o pessoal beber e fumar! Eles bebem e fumam porque querem, eu apenas “curto” junto… dou uma forcinha!

    Foi aí que “caiu a ficha” e percebi o quanto estava sendo infantil. É claro que todos somos responsáveis pelos nossos atos, não podia responsabilizar os outros por isso. Temos que parar com esse “papo” de espírito obsessor. Então, perguntei:

    – E como você faz isso?

    – É simples! Quando alguém fuma, por exemplo, chego bem pertinho da pessoa, quase abraçando-a, e aspiro a fumaça ao mesmo tempo.

    Enquanto explicava, foi demonstrando. A impressão que tive, quando ele aspirou a fumaça, é que o perispírito dele se justapôs ao de um jovem que tragava um cigarro naquele momento, quase que “colando”.

    Após essa curta conversa, voltei ao corpo físico e despertei. Rememorei bem o que ocorreu para não esquecer mais e, após uma prece de agradecimento pela lição recebida, adormeci.

    Meses após este fato, parei de freqüentar este bar, retornando lá raras vezes. Ele mudou muito, não está tão legal como antes. Aquilo foi uma fase, que marcou minha vida e a de alguns amigos meus. Jamais esquecerei os momentos bacanas que curti lá, como também não esquecerei a lição de moral que aquele espírito me deu. Não me lembro de ter conversado com ele após aquele dia, apenas senti a presença dele uma ou outra vez, no estado de vigília, mesmo.

    Apesar de ter perdido contato com aquele espírito, suas palavras ainda ecoam em minha mente.

    Quantas vezes, numa atitude imatura, culpamos os outros pelos nossos fracassos? Quantos de nós não criamos obsessores imaginários para responsabilizarmos por nossos vícios?

    Quando se fala em obsessor, logo vem à mente a imagem de um ser diabólico, malvado. Aquele espírito, que não era exatamente um obsessor, mas um co-participante dos desequilíbrios alheios, era muito inteligente e culto. Um artista e intelectual, só que desencarnado.

    Precisamos nos libertar dos preconceitos e perceber que um espírito só pode nos induzir com sucesso a fazermos algo se dermos abertura mental, ou seja, se o “mal” já existir dentro de nós. Só assim amadureceremos e tomaremos as rédeas do barco da nossa vida, não permitindo que ele afundo nos momentos de tempestade.

  9. camila ribeiro

    Escrito por Victor Rebelo
    No vale dos drogados

    Certa noite, já de madrugada, percebi que estava projetado fora do corpo em um pântano escuro e tenebroso. Não sei como fui parar lá, mas com certeza fui levado pelos amparadores espirituais, pois participei de um trabalho de assistência extrafísica.

    O que mais me surpreendeu não foi o local, mas os espíritos que encontrei lá. Conforme caminhava, ia passando por vários jovens desencarnados caídos naquele chão imundo. Escutava gemidos e uma energia de medo e dor vibrava no ambiente. Muitos espíritos puxavam minhas pernas, outros estavam completamente atordoados, indiferentes à minha presença.

    Andei um pouco por aquela multidão de infelizes e todos pareciam ainda estar sob o efeito das drogas, completamente sugados em sua vitalidade, sem forças para se levantar.

    Em determinado momento, senti a necessidade de me sentar no chão, mesmo sem saber ao certo o motivo. Logo que fiz isso, uma jovem aparentando uns 19 anos, loira, aproximou-se de mim muito amedrontada. Não sabia onde estava nem o que estava acontecendo. Sentou-se ao meu lado e me abraçou, na ânsia de se proteger daquilo tudo.

    Não sei quanto tempo ela ficou abraçada em mim. Na verdade, a percepção do tempo varia de acordo com o plano em que nos manifestamos. Só sei que fui me sentindo cada vez mais fraco, até perder a consciência e despertar no corpo físico.

    O que aconteceu é fácil de entender. Fui levado pelos amparadores à uma região umbralina onde muitos espíritos que desencarnaram devido ao uso de drogas estavam reunidos, de acordo com a lei de afinidade. Muitos espíritos ainda ficam sob o efeito de drogas devido à ligação energética que têm com seus corpos e com a energia de determinada droga. Suas mentes estão cristalizadas no vício, fazendo com que fiquem por tempo indeterminado naquelas regiões. Mas alguns, devido ao próprio carma, ou seja, a lei de ação e reação, se encontram em condições de sair desses lugares e buscar apoio nos hospitais extrafísicos. Era o caso daquela jovem. É bem provável que ela tivesse desencarnado por overdose recentemente e por isso, seu corpo astral estava muito denso. Como se encontrava fraca, somente alguém encarnado, temporariamente afastado do corpo poderia doar energia vital mais densa, para que ela pudesse ser tratada posteriormente pelos amparadores, que devido ao plano de manifestação, irradiam energias mais sutis.

    Como podemos ver, podemos ser muito úteis aos guias espirituais, doando nosso amor e fluido vital para que eles possam atuar no plano astral mais denso. É a harmonia universal, onde cada peça é um elo da corrente!

  10. MadaDaLuz

    Maravilhoso! Aguardo a continuação! Beijos!!!

  11. Adrica Leite

    Olá Rodrigo…
    É a primeira vez que visito seu Blog e ADOREI!
    Não demora pra postar não tá?
    Adorei o texto!
    Um grande abraço e muita paz,
    Adrica Leite

  12. Jr

    Muito legal Rodrigo, aguardo pela continuação.

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